Os quatro finalistas do Oitavo Elemento do CQC

Alguém comentou no post anterior que eu estou sendo invejoso, grosseiro, mau perdedor e extremamente desocupado(?)… e ainda recomendou que eu lesse algum livro de auto-ajuda (sic)! Volto a repetir que não existe “mimimi” da minha parte. O Maradona, no jogo de ontem, fez todo o possível para ganhar o jogo, mas o Brasil jogou melhor. No CQC os argentinos também são os donos da bola, mas podem decidir o resultado. Nesse circo armado talvez “por falta de pauta” para o programa (como foi comentado por outro leitor) o concurso para o Oitavo Elemento do CQC assumiu um tom de pegadinha. Por que não contratar o Christian Pior ou a Dani Calabresa de uma vez? Eles dariam uma cara nova ao programa sem precisar de “concurso”.
Não considero uma derrota ficar entre os 16 de mais de 28 mil inscrições, mas o fato de não haver nada nas regras que proibisse a participação de “agregados”, como acontece em qualquer outro concurso, deixa uma certa falta de transparência no ar. Não quero ser leviano, mas tenho quase certeza que me sacanearam na edição porque fui o único a levantar essa questão entre os participantes (sempre em off, sem nunca ter publicado ou me tornado “fonte”sobre esse assunto).
Enfim, posso ter sido eliminado por ser sem graça, gordo, velho, não ter o perfil e por aí vai… Só não aceito sair sem que as pessoas que estão de fora possam julgar. Se fui mal ou se fui bem, era só ter mostrado. Por que não fizeram com todos os 34 os mesmos testes que estão sendo feitos com os oito que ficaram?
Gosto do CQC desde o começo, mas acho que esse “concurso”, da forma como está sendo conduzido, pode levá-lo a se transformar num Pânico. A coisa funciona assim: os caras do Pânico percebem que o Zina dá audiência e fazem daquele maluco uma celebridade. O Pessoal do CQC percebe que desrespeitar os concorrentes dá audiência (o que aconteceu de fato) e abusam disso, já que vai ser muito difícil conseguirem fazer algo tão criativo como o repórter inexperiente.
Pela última vez, não confundam meu protesto com “choro de perdedor”, pois minha vida continua a mesma e, com certeza, é bem melhor que a de muitos concorrentes. Só acho injusto que gente que grita “Fora Sarney” ou que defende a lisura das eleições no Irã, use métodos tão discutíveis em busca de audiência.
Por fim, faço aqui meu “prognóstico” sobre os quatro que devem permanecer hoje na competição: Vivi, Paulão, Morgado e Mônica. Sem poder avaliar o desempenho de todos os candidatos através do que deve ir ao ar hoje a noite, ele foi baseado pura e simplesmente em um “chutômetro” que reune a minha opinião pessoal com uma breve pesquisa “popular” e a preferência da diretoria. Se acertar, vou reivindicar o lugar da mãe Dinah, se errar faço aqui amanhã o “mea culpa”.

Façam suas apostas!

Bem, agora que me levantei do tombo e não sou mais vidraça posso me expressar mais livremente (de acordo com o que me garante a constituição brasileira) e armar meu estilingue. Ao reclamar (não do resultado, mas da edição do programa) tive total apoio de quem me acompanha pela internet, mas entre alguns participantes (eliminados e eliminandos) a coisa ficou meio dividida.
É impressionante como as pessoas têm receio de emitir suas opiniões. Não sei se por medo de ferir alguém que possa lhe garantir emprego um dia ou por pura “simpatia”. A verdade é que boa parte dos candidatos a “humoristas” quer fazer humor sem colocar o dedo na ferida de ninguém.
Não sei se alguém reparou, mas o título do espetáculo do grande ídolo dessa safra interminável de gremlins stand-ups é “A Arte do Insulto” e isso se faz com sarcasmo, raciocínio e classe. Se o seu interlocutor tiver o mínimo de inteligência, não vai se ofender (se bem que se for um picareta vai fazer de tudo para deixar claro que não é com ele).
Minha esposa fica apreensiva quando entro em alguma discussão: “_Você precisa ser mais político”… Se ser político é mentir, bajular, falar por trás e montar esquemas para se atingir um objetivo, não, não sou e nem quero ser político. Um amigo de longa data me recomendou que assistisse ao filme Gran Torino, pois disse que eu me parecia com a personagem vivida por Clint Eastwood.
“_ Você é rabugento como ele, mas tem um puta coração e não foge da raia quando os outros precisam.” Isso é não ser “político”? Então, OK Clint! Detesto gente “simpática” e de bem com a vida que está sempre ocupada quando você precisa. No meio dos participantes tem alguns dissimulados e arrivistas que fazem essa linha e um dia vão chegar aonde querem. Como é mesmo o nome daquela moça que deu pro Mick Jagger e se casou com o dono da emissora? Deixa pra lá!
Entre os eliminados não me considero o único que mereceria uma segunda chance, pois teve gente muito boa que saiu logo de cara. Por isso, para quem interessar, vou fazer uma análise isenta e pessoal dos 8 que ficaram. É óbvio que alguns vão me odiar por isso, mas que graça tem uma trama sem um vilão?

Os Homens


Luiz Hygino me parece um garoto bacana. Conversamos pouco, mas ele não foi arrogante em nenhum momento. Como pessoa torço por ele, mas no quesito “desempenho” vi pouco o que ele fez e não dá para ter um ideia do que pode rolar daqui pra frente.

Marcel Oliveira parecia simpático no começo, mas deu a impressão de ter mudado a postura na segunda eliminatória. Quando saiu do palco, disse algo do tipo “senti que estava fora do meu corpo” e parece ser um cara que é capaz de bater no juiz para ganhar um jogo. Bom, o que dizer de alguém que usa um corte “punk” em pleno século XXI? Não sei se leva.

Paulão VV é um tiozão simpático por quem também torço, afinal ele pode ocupar a vaga de idoso que seria minha no estacionamento. Mas seu jeito espontâneo e bonachão talvez não seja, infelizmente, o que o CQC procura. Como será que esse roqueiro doidão ficaria naquele terno preto?

Rogério Morgado deve ir para a final e, qualquer coisa que eu diga aqui não vai mudar isso. Ele é mais um stand-up que tira sarro de si mesmo. O cara tem preguiça de fazer regime e viu que era fácil ganhar dinheiro com piadas sobre gordo. Falar mal dele é um perigo, pois mexe com toda a torcida do Zorra Total.

As Mulheres

Ana Paula Davin é uma gracinha de pessoa. Essa potiguar é muito espontânea e tem algumas tiradas engraçadas. Como todo mundo acha que o Oitavo CQC tem de seguir o modelo argentino e ter uma mulher entre os homens de preto, ela é também uma forte candidata pois, apesar da timidez, tem carisma e vontade de aprender, o que pode ser um diferencial se ela vencer. Mas é difícil fazer qualquer previsão.

Carol Zoccoli eu conheci pouco, mas deu para sacar que ela é uma pessoa generosa e de boa índole. Pelo twitter, percebí que, em determinadas ocasiões, ela deixa escapar um humor mais ácido que (com perdão do trocadilho) nem todo mundo consegue digerir… Eu, particularmente gosto desse lado, mas não sei se é ele que ela explora no seu stand-up nem se é isso que o CQC está buscando em seu caminho de se tornar mais um “Pânico na TV”.

Mônica Iozzi é uma incógnita. Estou para ver pessoa mais dissimulada (morro de medo de gente assim). Nas poucas vezes que a vi diante da câmera ela se transformou e até mandou bem, mas a sua risada é tenebrosa. Ela me passa a impressão de ser arrivista, mas não dá para dizer com certeza. Só sei que alguma coisa que eu disse a desagradou, pois ele parou de me seguir no twitter. Não sei se foi por eu ter dito que ela se parecia com a atriz pornô Tamiry Chiavari ou por questionar o fato dela ser a única candidata seguida pelo diretor do programa no twitter. Pode ir para final com o Morgado.

Vii Zedek é uma grande figura (apesar da sua estatura). Quando a vi na fila de candidatos falando um monte de coisas desconexas, achei que ela tinha uns 13 anos e me perguntei: “_Meu deus, como ela chegou até aqui? Mas, aí veio a segunda eliminatória, ela foi se soltando e conversamos sobre muita coisa. Ela é uma nerdzinha que poderia dar um charme “inteligente” ao programa, mas acho que tem poucas chances por ainda ser muito imatura. Pena, ela teria uma vantagem: se parece com o Juan Di Natale, um dos apresentadores do CQC argentino .

Bem, é isso. As opiniões aqui expressadas são isentas e MINHAS, e não tem qualquer relação com o fato de eu ter sido eliminado ou não… Boa sorte a todos.

CQC? Pois é, mas não foi…


Alô amigos da Rede Band! Apesar de não ser o Fernandinho Beira-Mar, fui submetido a mais uma humilhação em cadeia nacional. Só que dessa vez, infelizmente, não deu pra levar. Pra falar a verdade, depois de ver o que foi editado, não deu nem para mostrar. Estou besta até agora, sem entender nada. Quando digo que meu objetivo maior era tentar “penetrar” no programa pela porta da frente ninguém acredita, acha que isso é um discurso vazio. Mas se o discurso é o mesmo desde o começo, como é que fica então?
A verdade é que não esperava passar nem pela primeira seleção, que me pareceu uma grande bagunça ou, como disse um fã do twitter, “um trote do Pânico”. Não me perguntaram quem era o presidente da câmara, não pediram para eu cantar, nem fizeram perguntas em inglês… Três coisas que eu talvez mandasse bem. Dessa vez, ao contrário, respondi tudo, engatei um bom papo com a entrevistada e derrapei na tréplica do Babenko que, de tão confusa, foi também limada na edição de outros candidatos.
A comissão julgadora ficava cobrando, o tempo todo, para eu ser mais “incisivo” (como o cara que pegou o Cortez de mau-humor no aeroporto?)… Até improvisei uma piadinha sobre “maconha” (qual o barato de ser vereadora?), mas, além disso, como ser mais “incisivo” com a Soninha? Bem, não importa… talvez tenham me faltado óculos para enxergar essa linha tênue que separa o “jornalismo de humor” da ética. No caso do Babenko foi ainda pior, pois eu deveria, de improviso, formular uma tréplica a uma pergunta respondida ao Oscar Filho (algo que, pelo vídeo, dá para perceber que o original havia preparado antes). Mas tudo isso ficou na sala de edição…
Não é preciso ser gênio para saber que em um “reality show” tem sempre mais show que “reality”. Na edição de um CQC polêmico, o empurrão que os seguranças deram no Danilo Gentili ganhou uma conotação de agressão, quando é nítido que ele provocou a cena. Em geral, a pergunta que o repórter faz é sempre melhor que a resposta do entrevistado… Mas os “candidatos” tiveram de fazer tudo no improviso e o resultado ainda ficou submetido à vontade do diretor.
Quando gravamos as cenas há duas semanas, saí do palco animado e confiante. Mas, confesso que quando fui para o “paredão” com o Rogério Morgado fiquei apreensivo. O cara conhecia todo mundo lá dentro e a coluna Fuxico chegou a publicar uma nota que emitia um “cheirinho de cartas marcadas” no ar. Depois da eliminação, fui o único a levantar essa questão e, ao trocar farpas com o meu algoz, os outros participantes praticamente me lincharam. Parei para pensar e percebi que seria muita estupidez da produção cometer um favoritismo assim tão ingênuo. Depois de ver o que foi ao ar, acho que “ingênuo” não é o melhor adjetivo para a equipe do CQC.
Comecei, então, a fuçar na internet para colecionar algumas “teorias da conspiração”. Como acontece sempre, o Oitavo Elemento do CQC se transformou em um microcosmo da nossa sociedade, com direito a intrigas, questionamentos éticos, ciumes, fofocas e blá, blá, blá…
Eram 34 participantes bem heterogêneos e, salvo algumas exceções, os que chegavam mais perto do doce já começavam a manifestar seu senso de “auto-preservação”, e os que saiam procuravam as razões mais estapafúrdias para a sua eliminação.
Na primeira eliminatória muita gente ficou insatisfeita e começou a bombardear a produção com e-mails e telefonemas reclamando do injusto processo de seleção. Pouco antes da eliminatória ir ao ar, surgiu uma história de que a Ex-BBB havia sido eliminada porque havia “desautorizado” o uso de algumas imagens. Depois disso, alguém postou no Yahoo uma insinuação bem boba sobre a Laura. E, para terminar, veio o “mea-culpa” por parte da assessoria do programa. Não sem antes alguém publicar um video apócrifo no youtube e colocar mais lenha na fogueira. Ah sim, tem também a Mônica, a única candidata que é seguida no twitter pelo diretor do programa, o @barredo. E por aí, vai… É só “googlear” para encontrar alguma explicação de fazer inveja aos agentes do Arquivo X, como bem observou o Rodrigo (eliminado na mesma fase que eu).
Sei que parece difícil acreditar, mas não faço a menor questão de aparecer na TV… já fiz comerciais, trabalhei como ator em videos promocionais, etc, etc… até acho que tenho talento para isso, mas não tenho a menor vocação… não tenho saco para decorar textos, esperar no set de gravação sem fazer nada ou suportar o ego de diretores que entendem tanto de interpretação quanto o cigano Igor.
Não tinha também a pretensão de ser o oitavo CQC, até porque já deu para perceber que minha “cara-de-pau” é bem maior por trás de um teclado do que na frente das câmeras. Com isso, não estou menosprezando a iniciativa do programa nem os méritos do eventual vencedor. Pelo contrário, espero trabalhar nos bastidores e poder colaborar com o merecedor dessa conquista um dia (bem, se for o Morgado, meu filme já se queimou antes de entrar no projetor). Quero ser redator de humor e acho que para isso tenho tudo (menos o network) para dar certo. Afinal, quase 1.000 seguidores no twitter em apenas 4 meses, e com pouquissima divulgação, não deixa de ser uma conquista.
Quem estiver interessado na minha “carreira” pode fuçar meu canal no youtube. Meu único namoro com a grande midia ficou na década de 90, época dos comerciais de TV. A maior parte do meu trabalho como criador e locutor sempre esteve concentrada em videos corporativos, desde a época em que cometi a insanidade de abrir uma produtora de cinema até hoje. É, afinal, o que paga minhas contas e que, digo com segurança, pode até superar o salário de um ator de “Malhação” em começo de carreira.

Agradeço ao apoio sincero que recebi de muitos amigos e seguidores e peço desculpas aos outros participantes pelo “barraco” armado na troca de e-mails, mas esse tipo de coisa faz parte da favela em que todos nós nos metemos quando tentamos explorar o nosso esgoto artístico… O resultado é justo? Não sei. Se houvesse, talvez, uma seleção mais criteriosa, alguém como a Carol ou o Alex, por exemplo, não teria ficado de fora das duas primeiras peneiras.
Por isso é importante sim estar entre os 16 (entre os 8, então, nem se fala!). Aos que ficaram, lembrem-se de que outros sete se juntarão a nós. E, no final, só vai sobrar “um” que, depois de seis meses, pode ter o mesmo destino do Warley Santana… Bola pra frente e “vamuquivamu.” Aos perdedores sempre pode restar um ensaio para a G Magazine ou uma vaga de repórter no TV Fama. Agora temos mais é que adotar a postura do Rodrigo, que acabou mais conhecido pelo seu lado literalmente “cerebral ” (a simulação de um ataque epilético) do que pelo seu intrínseco talento.
Veja o lado bom… Não ficar entre os oito, pelo menos, fez com que eu não fosse obrigado a ir até Barretos. O importante é que “Tô na área!” Até porque jogador em fim de carreira tem mais é que ficar na área esperando a bola chegar para fazer mais um gol.

Cebola, o Oitavo CQC? Entre os 16, pelo menos, eu já estou!

Pois é, rapaziada… Acreditem ou não, continuo dentro. Dadas as circunstâncias “exóticas” do processo de seleção, seria uma vitória improvável, mas de nenhuma forma desprezível… Valeu o sacrifício de ficar no meio de um bando de malucos que parecia estar concorrendo a uma vaga para “imitadores do Sílvio”… Vocês fazem ideia do que são 34 pessoas tentando ser engraçadas o tempo todo? Deu para imaginar?

Bem, daqui para frente a coisa deve mudar um pouco de figura, pois os que ficaram, ao perceberem que a sua “estratégia” (se é que existe uma) funcionou, devem assumir uma postura mais defensiva. Não importa, a segunda é sempre melhor que a primeira… Eu disse segunda? Então, até segunda às 22h30 e vamuquivamu!

Cebola, 50: O Oitavo CQC?

Pois é… Quando mandei o video aí de cima, o fiz de forma despretensiosa, acreditando que talvez alguém nos bastidores pudesse gostar do texto e me chamar para fazer alguma coisa na produção do programa. Nem acreditei quando o Oscar Filho, em pessoa, me ligou dizendo que eu tinha nascido com a bunda virada pra lua e era um dos 32 finalistas para concorrer à vaga de Oitavo Elemento do CQC. Mas é fato, estou entre eles e mais dois que vieram na repescagem: 34 ao todo. Nessa segunda-feira, 24 de agosto (data emblemática que celebra o suicídio de Getúlio), posso “sair da vida e entrar para a história”. Aí estarei entre os 16… depois 8, 4, 2…1? De qualquer maneira, ter sobrevivido até aqui já foi bem legal, pois prova que aquele esperma, que um dia chegou em primeiro lugar, pode consegui-lo novamente. A diferença é que hoje, aos 50, vou precisar de óculos para encontrar esse óvulo e fecundá-lo.

Som, fúria, celebridades e internet.

Não é de hoje que a Globo busca alternativas para manter o nível da sua programação. Desde o fim dos “Casos Especiais“, os autores ficaram confinados às telenovelas e a uma ou outra minissérie de qualidade razoável. A falta de nomes como Bráulio Pedroso, Oduvaldo Viana Filho e Dias Gomes deixou a TV órfã de uma teledramaturgia de qualidade há décadas e, com exceção dos textos de Fernanda Young (cuja fórmula se desgastou um pouco com o tempo), a Globo, antes na vanguarda, viu-se obrigada a apelar para BBBs e outras coisas de gosto duvidoso.
Na contramão disso tudo, Luiz Fernando Carvalho trouxe uma luz ao fim do tunel (porque uso tanto essa expressão?) mas que só ele acabou vendo: uma obra tão hermética e barroca que sempre agrada à crítica, mas deixa o público de fora.
E de fora veio “Som e Fúria”, um texto canadense, adaptado por um diretor que não faz parte dos quadros da casa e produzido por uma empresa que não está no Projac – uma fórmula que, há décadas, funciona em vários países do mundo. Há muito não sentia um prazer tão grande ao aguardar ansioso um novo episódio de uma série brasileira. Atores excelentes (menos globais na essência e na procedência), direção segura e competente, ótimas locações, edição, som… tudo de primeira. Quem me conhece melhor, sabe como é raro arrancar de mim um elogio, mas qualquer coisa com a grife Fernando Meirelles merece dar certo.
Digo isso porque é uma delícia ver bons profissionais se dando bem no meio dessa enxurrada de “celebridades” que invadiu a TV e a internet. São pessoas competentes, dedicadas e sem afetação. Digamos que um egresso do BBB esteja para alguém do elenco de “Som e Fúria” como um Blog “independente” está para o jornalismo de Caco Barcelos.
Desde que me inscrevi no Twitter tive a oportunidade de conhecer gente muito bacana (a maioria jornalistas e “bons” atores) e alguns escrotos que se auto-denominam “blogueiros” desafiando o trabalho sério de bons profissionais com um monte de opiniões desencontradas, geralmente fundamentadas no Google.
Como tudo, felizmente, é livre na internet somos obrigados a conviver com essa classe de pessoas que, ao encontrar um bando de seres desinformados, distorce as informações e as transformam em verdades absolutas como se estivessem administrando uma nova religião. Em um veículo de comunicação sério seriam submetidas ao crivo de um editor e em uma instituição de ensino responsável teriam de desenvolver pesquisas e redigir teses para conquistar títulos… No território virtual, escrever meia dúzia de livros de informática já é o bastante para transformar alguém em um filósofo comparável (aos olhos dos leitores) a um Mário Sérgio Cortella.
Como abelhudo que sou, decidi submeter a um tradutor profissional um texto em inglês (se ele tirar o link do ar parte do texto está ai embaixo) de um dos “profissionais” mais respeitados dessa blogosfera. Eu, apesar de ter passado longas temporadas nos Estados Unidos durante vários anos e de falar razoavelmente o idioma, não me atreveria a isso. Vejam o resultado (com as revisões do tradutor em vermelho):

So you have one million dollars…

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One million dollars is not what it used to be. If you planned a James Bond life with a $1 million bank account, forget it. Even investing in Brazil, with the world’s largest (não seria highest?) interest rate, 1Mbucks STILL isn’t enough to pay a millionaire’s life.(o que se usa é “afford”, e não “pay”).

Or, at least, the life WE, poor people, “poor people”? think millionaires live. Anyway let’s move on and check some hard facts about the life of the rich and famous…

“Being a millionaire means at least US$100 million. People with savings of US$ 1 million are middle-class.”

Vera Loyola, Época Magazine
06/16/2003.

You know what? She’s right. With US$1 million, if the guy wants to keep a globetrotter playboy lifestyle, will be broke in no time. (the guy who? cadê o sujeito de “will be broke”?)

Is good to be Bond, but it’s very expensive; far more than a British Navy Commander, with a yearly salary of US$90,592 can afford. (cadê o sujeito de “is good”? esse “far more” também tá meio esquisito)

Dr Evil was really modest with his demand of a US$1 million ransom. At the end of this text, you’ll realize WHY the world leaders laughed at him.

Let’s imagine. (isso é português em inglês, um native speaker diria “suppose”) By some lucky strike or Destiny’s intervention you are listed in someone’s will, or stole a bank (não seria “robbed a bank”?), or hit the jackpot, lottery tickets, whatever. Your bank account is US$1 million above it’s previous level (it’s?). God, you’re a millionaire, will travel the world, live in the best hotels, shag truckloads of wonderful women, right?
Right, for 6 months, top. After that will be broke, you last pubic hair will be loaned already, your prays will ask for another US$1 million, just to equalize your debts.
(este trecho nem cabe comentar, vai dar trabalho demais consertar esse inglês capenga. Quem vai querer pedir os pentelhos do cara emprestados? como é que se faz isso? tá mais pra “the cow went to the swamp”) e os sujeitos dos verbos? sem sujeito, só em português; em inglês tem de ter sujeito. “after that will be broke” ficou hilária. “your prays will ask” ha ha ha ha. equalize? huh?
Of course, if you dream is to start a small business, have a honest and meaningful life, something to make Frank Capra proud. US$1 million is more than enough. BUT if you think that amount of money will pay for a rock star lifestyle… you’re doomed. Follow me…

A certa altura o tradutor observou:
Acho que não vale a pena continuar. O inglês de quem escreveu isso está abaixo de “the book is on the table”, abaixo da crítica, ou melhor, com muita falta de autocrítica. Ele é do tipo que costuma questionar as traduções de filmes?

Por fim como, ao contrário do nosso protagonista, não tenho a pretensão de evangelizar ninguém, tire você as suas próprias conclusões.

A Dieta da Lua


20 de julho de 1969. Há exatos 40 anos, o homem pisava, pela primeira vez, na lua. A uma semana de completar 10 anos, eu assistia tudo com muito entusiasmo. O cinema exibia uma série de filmes de ficção científica como “O Planeta dos Macacos”, 2001: Uma Odisséia no Espaço e O Enigma de Andrômeda (alguns anos depois) e eu, da janela do ônibus, imaginava as suas histórias pelos cartazes nas portas dos cinemas do centro ou nas reportagens da Folha e da revista Fatos&Fotos.
Com alguns trocados arrancados do meu pai, comprei a edição histórica da tal revista
com o disco da transmissão radiofônica do pouso narrada por Hilton Gomes e os diálogos originais dos astronautas em inglês. Até então, apesar de já escutar Revolver e Sgt. Peppers dos Beatles, não falava uma palavra do idioma. Mesmo assim, não cansava de ouvir a gravação em que era possível sentir a emoção na voz de Neil Armstrong. Anos depois, consegui até um filme colorido Super-8 com as imagens do evento.
Meu tio Otávio, espírita convicto, morreu sem nunca acreditar que esse fato tenha ocorrido de verdade. Até hoje, cerca de 20% da população estadunidense compartilha da sua crença de que tudo não passou de uma produção de Hollywood, como mostra esse documentário que, de tão “sério”, não conseguiu sequer apurar a autoria da música usada como fundo (um remix da trilha composta por Klint Mansell para o filme “Requiem para um Sonho”).
No dia 17 de julho de 2009 (um dia após o aniversário de lançamento da Apollo 11) a NASA apresentou inúmeras imagens de equipamentos deixados na Lua pelos astronautas no Lunar Reconnaissance Orbiter.
Esse marco do século XX pode ser visto em imagens de excelente qualidade nesse outro video. Mas, o melhor mesmo é assistir ao especial dos “Caçadores de Mitos” para que todas as suas eventuais dúvidas sejam “detonadas” (paciência porque dura 43 minutos e foi dividido em 5 partes para caber no Youtube).
Esse foi, sem dúvida, o acontecimento que mais marcou a minha vida, mas a primeira imagem que me vem a cabeça hoje é a de dois astronautas, um olhando para a cara do outro, e perguntando:
_ Tudo bem, conseguimos descobrir uma forma de perder peso em pouco tempo… Mas, que porra a gente veio fazer aqui?

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